terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Warrior King - Capitulo Um



Galera, vim trazer o primeiro capitulo de Warrior King, espero que gostem. Lembrando que é adaptada de um livro. 

Capítulo Um

Toda mulher considera a ideia de roubar um cavalo e fugir no dia do casamento, não?
Lua Blanco lutava contra a inquietação crescente dentro de si. Era seu dever obedecer ao pai. Compreendia isso, mesmo apertando a seda carmesim de seu vestido e olhando para os estábulos.
Em seu coração, sabia que fugir era inútil. Mesmo que conseguisse deixar as terras, o pai mandaria um exército atrás dela. Billy Blanco não era conhecido pela tolerância. Tudo era feito de acordo com suas ordens, e pobre de qualquer um que desobedecesse.
Talvez o casamento não seja tão ruim, uma parte dela racionalizava. Talvez o noivo fosse um homem amável e atraente que lhe concederia a liberdade de dirigir as propriedades dele.
Lua fechou os olhos. Não, altamente improvável. Do contrário, o pai teria ostentado o pretendente diante dela, gabando-se da união. Ela sabia pouco sobre o noivo, salvo sua descendência irlandesa e a posição.
— Está pronta, milady? — perguntou Carla, sua criada. Com um sorriso conspirador, ela acrescentou: — Acha que ele é bonito?
— Não. Não é. — Desdentado e velho. Assim seria a aparência do homem. Lua sentia o pânico fervilhando dentro do estômago, seus passos pesando feito chumbo. O impulsivo plano de fuga parecia cada vez mais atraente.
— Mas certamente...
Lua meneou a cabeça.
— Carla, papai nem me deixou conhecer o homem durante nosso noivado. Provavelmente é um meio-demônio.
A criada fez o sinal da cruz e franziu a testa.
— Ouvi dizer que é um dos reis irlandeses. Deve ser rico além do imaginável.
— Ele não é o alto rei. — E deveria dar graças aos santos por isso. Embora fosse governar uma tribo, ao menos não teria o fardo de reger todo um país. Enquanto desciam a escadaria de madeira para sair da fortaleza do castelo, Lua se perguntava como o pai tinha conseguido arranjar um noivado em tão pouco tempo. Partira para ajudar na campanha do conde de Pembroke tão somente no último verão.
— Se eu pudesse, tomaria seu lugar — refletiu Carla, com um sorriso sonhador.
— E, se eu pudesse, o daria para você. — Infelizmente, isso era impossível.
A imaginação de Lua conjurava um monstro. O homem devia ser insuportável para exigir tamanho sigilo. Embora soubesse que era injusto fazer julgamento antes de conhecer seu prometido, ela não podia evitar imaginar o pior.
— Você será a senhora de seu próprio reino. — Carla suspirou. — Imagine. Você será uma rainha.
— É o que parece. — E isso lhe dava ainda mais medo do iminente casamento. O que sabia sobre ser rainha? Sabia como conduzir uma propriedade e torná-la rentável, mas isto era tudo.
Seu pai, Billy Blanco, barão de Thomwyck, a aguardava do lado de fora da capela entre um pequeno grupo de convidados e servos. Alto e magro, estava com a barba grisalha e o bigode bem aparados. Ele a examinou numa rápida olhada, e Lua se sentiu como uma égua prestes a ser vendida. Teve que resistir à vontade de exibir os dentes para inspeção.
Não, não a aborrecia partir daquele lugar. Mas o que deveria esperar do rei irlandês? Seria gentil? Cruel? Seus nervos ficavam mais tensos.
Ele está aqui? — perguntou ao pai, olhando para os homens esperando junto à igreja.
Billy lhe tomou os dedos gelados, mantendo-os bem apertados enquanto a escoltava até a capela.
— Você o encontrará muito em breve. Meus homens avistaram o grupo de viagem dele algumas horas atrás.
— Preferia o ter conhecido durante nosso noivado — murmurou ela. O pai apenas resmungou uma resposta qualquer.
Lua estremeceu. Até ver aquele homem com os próprios olhos, não desistiria dos planos de fuga. A cada passo, ela se sentia mais sozinha. Suas irmãs não estavam ali para lhe oferecer apoio. Billy não permitiu a presença delas, o que a magoou mais do que ela mesma esperava.
Quando chegaram ao pátio, um homem bem vestido falava com o padre. Possuía pouco cabelo, salvo uma franja branca como neve ao redor da cabeça.
— Aquele é ele? — perguntou ela. O pai não respondeu. Ele parecia preocupado, o olhar concentrado ao longe.
O velho engoliu em seco e esfregou as mãos na barra da túnica. Olhou ao redor como se procurasse por alguém.
Lua fez uma oração silenciosa, as faces ardendo. Deus, por favor; salve-me deste casamento, pensou ela, mesmo com a mão do pai firme em seu pulso.
Um instante depois, ela ouviu o som de um cavalo se aproximando. Surpresa, ela olhou para os céus.
— Isso foi rápido.
— Como disse? — perguntou Billy.
— Nada. — Lua forçou uma expressão neutra no rosto, mas o ruído surdo se intensificou. O pai exibiu um sorriso estranho e acenou para que o padre esperasse. Momentos depois, o velho se juntou aos outros convidados. Então aquele não era seu noivo.
O ruído ficou mais alto, e o pai dela levou a mão ao punho da espada. Uns poucos convidados fitaram Billy, as mulheres olhavam ao redor com incerteza. O padre se voltou para Lua, um ar indagador no rosto.
Lua congelou. Ali, cavalgando na direção dos convidados, surgiu um homem. As roupas eram pouco melhores que trapos, lama seca cobrindo a barra da capa. Mesmo assim ele cavalgava um lustroso cavalo negro, um garanhão à altura de um cavaleiro.
A espada estava em punho, como se preparada para cortar qualquer homem que ousasse se opor a ele. Os convidados se afastaram para sair do caminho do cavalo, várias mulheres gritavam.
O coração de Lua foi parar na garganta, mas ela se manteve composta, recusando-se a gritar. Em vez disso, disparou para detrás de um dos homens de seu pai, um soldado armado com arco e flechas.
O que havia de errado com eles? Os homens não se moviam nem disparavam qualquer flecha. Estando sozinho, o intruso era alvo fácil. Será que ninguém o deteria?
— Façam alguma coisa! — berrou ela, mas os soldados a ignoraram. O homem fez o cavalo parar e embainhou a espada. A respiração de Lua ficou presa nos pulmões, uma sensação de agouro se infiltrando dentro dela. Não. Não podia ser ele.
O cabelo negro aparado em um topete, os olhos de granito flamejavam contra os dela. Ele a lembrava um bárbaro selvagem, audaz e destemido. Usava um traje estranho, uma longa túnica azul que ondulava até os joelhos e calça parda. Um manto carmim esfarrapado pendia dos ombros, preso com um estreito broche de ferro do comprimento do antebraço de Lua. Braceletes de ouro lhe envolviam os braços, denotando sua posição nobre.
A calma aceitação do pai à interrupção só podia significar uma coisa. O bárbaro era seu futuro marido. Lua mordeu o lábio, dominando o medo e o desejo de fugir.
Billy confirmou a suspeita com palavras.
— Lua, este é Arthur Aguiar, rei de Laochre.

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